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ÍNDIO CIDADÃO? (DF/2014, 52′)

Um filme de Rodriguarani Kaiowá e Equipe.

CONTATOS

indiocidadao.doc@gmail.com / rodrigo@7gdocumenta.com.br / https://www.facebook.com/indiocidadao

SINOPSE

A União das Nações Indígenas, em ato de desobediência civil contra a tutela do Estado, coordena movimento político de participação popular na Constituinte (1987/88). Vinte e cinco anos depois, o Movimento Indígena ocupa o Plenário da Câmara dos Deputados e realiza Mobilização Nacional em Defesa dos Direitos Constitucionais ameaçados pelo próprio Congresso Nacional. A Nação Kaiowa e Guarani, alheia ao Direito e à Justiça, revela a narrativa testemunhal do genocídio indígena em marcha no estado do Mato Grosso do Sul.

FICHA TÉCNICA

Direção: RODRIGO ARAJEJU.

Direção de Fotografia: ANDRÉ CARVALHEIRA.

Som Direto: ALISSON MACHADO.

Montador: SERGIO AZEVEDO.

Direção de Arte: MARCIA ROTH.

Ilustrações: JOÃO TEÓFILO.

Animação: MARCIA ROTH e MALLO RYKER.

Assistente de Direção e Produção: MARCOS VINÍCIUS FERREIRA.

Câmera extra: DAVI ALVES e ALISSON MACHADO.

Estagiária: MARINA BRUNALE.

Pesquisa: 7G DOCUMENTA.

Roteiro: RODRIGO ARAJEJU e SERGIO AZEVEDO.

Produção Executiva: ISADORA STEPANSKI.

Coordenação de Produção: RODRIGO ARAJEJU.

Coprodução: 7G DOCUMENTA e MACHADO FILMES.

Produtoras associadas: ARGONAUTAS, 400 FILMES e BASE AUDIOVISUAL.

Apoio de Produção: TV CÂMARA.

Apoio Institucional: AIK PRODUÇÕES; CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO; PROJETO SÉCULOS INDÍGENAS NO BRASIL; KARIOKA MULTIMEDIA PRODUÇÕES; IKORÊ PRODUÇÕES; ARTICULAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL; MEMORIAL DOS POVOS INDÍGENAS; CULT VIDEO; VÍDEO MASTER; BALAIO CAFÉ; PADÊ PRODUÇÕES; COLETIVO MURUÁ; e CEICINE.

PATROCÍNIO

FUNDO DE APOIO À CULTURA – FAC/DF SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA DO GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL – SECULT/GDF

EXIBIÇÕES

DESCRIÇÃO DO FILME

Filme resgata a campanha popular das Nações Indígenas na Constituinte (1987/88) e documenta as duas Mobilizações Nacionais em Brasília, ocorridas em 2013, contra os ataques legislativos do Congresso Nacional aos direitos constitucionais dos Povos Originários. A Nação Kaiowá Guarani traz à tona a narrativa testemunhal do genocídio indígena em marcha no Brasil, com o assassinato impune de centenas de lideranças na última década. O filme apresenta depoimentos e falas públicas de importantes lideranças indígenas, como o cacique Raoni Metuktire, Ailton Krenak, Sonia Guajajara, Davi Kopenawa, Álvaro Tukano, Valdelice Veron, entre outros.

Com forte pesquisa de acervos públicos e privados, traz episódios históricos da luta indígena no debate político do Congresso Nacional. A narrativa é conduzida por meio do depoimento da liderança Valdelice Veron, do Grande Conselho Aty Guasu. Ela expõe o drama pelo extermínio que a Nação Kaiowá Guarani vivencia há décadas no estado do Mato Grosso do Sul. Valdelice testemunhou o assassinato do pai, cacique Marcos Veron, durante o processo de retomada de sua terra Tekoha Takuara em 2003. Doze anos depois, a terra tradicional ainda não foi demarcada. Valdelice e Ládio Veron estão ameaçados de morte e negligenciados pelo Estado, embora cadastrados em Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

O diretor Rodrigo Arajeju relata a urgência do tema: “O ÍNDIO CIDADÃO? foi idealizado para revelar a ótica dos Povos Originários sobre a história recente da garantia legal dos direitos à terra e à vida tradicional, no marco dos vinte e cinco anos de promulgação da Constituição Federal (2013). Contudo, nas filmagens, registramos a impactante narrativa testemunhal do genocídio contemporâneo dos Kaiowa Guarani. Surgiu, assim, o compromisso de reverberar as vozes de mais uma Nação Originária, sendo dizimada no Brasil, diante da omissão cúmplice do Estado e da sociedade”.

ÍNDIOS NO PODER alcança as 27 capitais na programação da 11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos

O curta ÍNDIOS NO PODER (DF, 2015, 21 min) integra a programação da 11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos, com sessões gratuitas, e terá nove exibições no mês de junho. As últimas capitais a receberem nosso filme são Fortaleza (04/06), Belém (05/06), Macapá (06 e 07/06), Maceió (08/06), Natal (08/06), Porto Alegre (11/06), São Paulo (23/06) e Rio de Janeiro (23/06).

Simbolicamente, a primeira projeção foi no Mato Grosso do Sul/MS. O filme também foi rodado nesse estado, fronteira de expansão do agronegócio dominada por políticos(as) ruralistas . A narrativa é centrada na resistência do Povo Kaiowa Guarani nas retomadas dos territórios tradicionais, com protagonismo de lideranças do Tekoha Takuara – Juti/MS. O enredo se desenvolve pelo contraponto entre o mandato de Mario Juruna Xavante na Câmara dos Deputados, na 47ª Legislatura (1983-1986), e a candidatura do cacique Ládio Veron Kaiowa ao cargo de deputado federal, nas Eleições 2014. Esse lapso temporal reflete a ausência de representação indígena no Congresso Nacional, desde a redemocratização na Constituinte (1987-1988), e denuncia o poder crescente da Bancada Ruralista na política nacional.

O filme representa a temática “direitos da população indígena” na Mostra Panorama, cuja curadoria apostou na diversidade de propostas com enfoque em questões atuais. Naine Terena, Soilo Urupe Chue Chue e Boe Liberio (foto de divulgação) foram convidados para conduzir o debate sobre o tema em Cuiabá, após a sessão, no encerramento da Mostra em Mato Grosso.

A última exibição ocorrerá na cinemateca do MAM (RJ) e pretende-se garantir a presença de representante Kaiowa Guarani entre as(os) participantes do debate. Segundo Sonia Machado, produtora da Mostra no Rio de Janeiro, é preciso promover discussão sobre as lutas indígenas pois o “tema fica muito invisível no meio de tantas questões sociais”.

É muito relevante alcançar o público nas 27 capitais com nossa proposta de comunicação por direitos indígenas. O clamor do Povo Kaiowa e Guarani por terra, vida, justiça e demarcação no MS e a luta por representação política direta no Congresso Nacional são duas pautas urgentes que precisam ser conhecidas pela sociedade brasileira. Acompanhe a agenda do filme nos últimos dias da 11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos, compartilhe!

  • SERVIÇO: ÍNDIOS NO PODER na Mostra Panorama – 11ª MCDH 2017.
  • Fortaleza/CE: 04/06, às 14h, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
  • Belém/PA: 05/06, às 16h30, Cine Líbero Luxardo – Fundação Cultural do Pará.
  • Macapá/AP: 06/06, às 14h; e 07/06, às 10h30, Teatro das Bacabeiras.
  • Maceió/AL: 08/06, às 20h, Museu da Imagem e do Som de Alagoas/MISA.
  • Natal/RN: 08/06, às 9h, IFRN – Campus Natal (Cidade Alta).
  • Porto Alegre/RS: 11/06, às 17h, Cinemateca Capitólio Petrobras.
  • São Paulo/SP: 23/06, às 16h, Biblioteca Mário de Andrade.
  • Rio de Janeiro/RJ: 23/06, às 18h, Cinemateca do MAM.

Assista ao trailer oficial: https://vimeo.com/140084737.

 

Texto de Rodrigo Arajeju; foto de divulgação da 11ª MCDH Cuiabá/MT (fonte: https://www.facebook.com/1437899749765170/photos/pcb.1909330289288778/1909330239288783/?type=3&theater).

MOSTRA CORPOS DA TERRA: AS LUTAS INDÍGENAS NO CINEMA DE “TERRA DOS ÍNDIOS” (1979) A “MARTÍRIO” (2016)

A mostra Corpos da terra – imagens dos povos indígenas no cinema brasileiro ocorrerá na Caixa Cultural Rio de Janeiro, de 04 a 16 de abril de 2017. A programação apresenta 39 filmes sobre os Povos Originários no Brasil, diversificados entre os gêneros ficção, documentário, experimental e até animação. Grande parte da programação está centrada na questão crucial para os corpos indígenas: a garantia dos direitos originários às terras tradicionais, conforme previsto no artigo 231 da Constituição Federal de 1988. “Foram selecionados curtas, médias e longas-metragens que abordam diferentes aspectos da vida e da história indígena no país, dando atenção especial à relação entre os povos e a terra, seus diferentes modos de ocupação do espaço e às histórias de usurpação de seus territórios tradicionais.” Entre os longas, um documentário histórico sobre a luta indígena, em tempos de tutela do Estado, é Terra dos Índios (1979), de Zelito Viana. É marcado por depoimentos de Marçal de Souza (Guarani Nhandeva) e Angelo Kretã (Kaingang), lideranças executadas na década de 1980, e também do único parlamentar indígena na história do país, Mario Juruna (Xavante), antes de sua eleição em 1982.

A grande caminhada do Povo Guarani e Kaiowa pela retomada de suas terras sagradas no Mato Grosso do Sul, palco da tragédia indígena mais agravada nas últimas décadas, é destrinchada pelo impactante Martírio (2016), de Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tita. Carelli e seus colaboradores conseguiram registros documentais impressionantes da violência de milícias e produtores rurais contra as populações indígenas no movimento pacífico de retomadas (assista ao trailer: https://youtu.be/5zVzRAiDR78). O diretor, que já havia abordado o massacre de indígenas em Corumbiara (2009) – também na programação da mostra -, contribui na difusão da narrativa testemunhal do genocídio Guarani e Kaiowa através da ampla circulação do filme. O documentário é o mais completo sob a perspectiva histórica da usurpação das terras originárias e confinamento desse Povo em reservas indígenas, com indicativos da responsabilidade do Estado brasileiro do Império à República.

Primeiros contatos com a civilização, execuções, conflitos territoriais e demarcação de terras indígenas também são os temas dos longas Taego Ãwa (2016), de Marcela e Henrique Borela, A Nação Que Não Esperou por Deus (2015), de Lucia Murat e Rodrigo Hinrichsen, Vale dos Esquecidos (2012), de Maria Raduan, e Conversas no Maranhão (1983), de Andrea Tonacci. Os curtas Surara – a luta pela terra Tupinambá (2017), de Veronica Monachini e Thomaz Pedro, e Tupinambá, o retorno da terra (2015), de Daniela Alarcon, abordam aspectos das retomadas e autodemarcação de territórios. Nossos filmes Índios no Poder (2015) Índio Cidadão? (2014), de Rodrigo Arajeju e equipe, trazem o clamor Kaiowa Guarani por “terra, vida, justiça e demarcação” em perspectiva com a demanda do Movimento Indígena por representação direta no Congresso Nacional e a trajetória de luta de suas lideranças pela conquista e manutenção dos direitos constitucionais.

Destaco a exibição de filmes de cineastas indígenas com trajetória no circuito de festivais de cinema: Isael Maxakali com Konãgxeka: o dilúvio Maxakali (2016), animação dirigida também por Charles Bicalho; Alberto Alvares (Guarani Nhandeva) com Karai Ha’egui Kunhã Karai ‘ete – Os verdadeiros líderes espirituais (2014); Patricia Yxapy e Ariel Kuaray (Mbya Guarani) com Bicicletas de Nhanderú (2011); Takumã Kuikuro com As Hiper mulheres (2011), direção assinada também por Leonardo Sette e Carlos Fausto, e Nguné Elü, O dia em que a lua menstruou (2004), codireção de Maricá Kuikuro; Divino Tserewahú (Xavante) com Pi’õnhitsi – mulheres xavante sem nome (2009), codireção de Thiago Campos, e Wapté Mnhõnõ, Iniciação do Jovem Xavante (1999); e Komoi Panará com Prîara Jõ – Depois do ovo, a guerra (2008).

Ainda sob a lente de realizadores indígenas, a curadoria também incluiu filmes menos conhecidos do público. Essas produções se propuseram a realizar processos de interculturalidade, com protagonismo de indígena(s) na direção. O documentário Presente dos antigos (2009), de Ranisson e José dos Reis Xacriabá, foi produzido para o DOCTV Minas Gerais II como resultado de oficinas de audiovisual. Shuku Shukuwe, a vida é para sempre (2012), de pajé Agostinho Ika Muru (Huni Kuin),  Pirinop – meu primeiro contato (2007), de Mari Corrêa e Karané Ikpeng, Shomõtsi (2001), de Wewito Piyãko (Ashaninka), e Das crianças Ikpeng para o mundo (2001), de Karané Ikpeng, Natuyu Txicão e Kumaré Ikpeng, são produções do Vídeo nas Aldeias. O lançamento mais recente é Osiba Kangamuke – Vamos Lá, Criançada (2016), de Haja Kalapalo, Tawana Kalapalo, Veronica Monachini e Thomaz Pedro.

O recorte da mostra traz retrospectiva de obras antigas como Festas e rituais Bororo (1916), de Luiz Thomas Reis, e O Descobrimento do Brasil (1937), de Humberto Mauro, e contempla filmes aclamados pela crítica como Serras da Desordem (2006), de Andrea Tonacci, e 500 Almas (2007), de Joel Pizzini. Duas sessões serão seguidas de debates com diretores e representantes indígenas participarão da mesa OLHARES E CONSTRUÇÕES: INDÍGENAS NAS TELAS (09/04, às 19h) e da roda de conversa MULHERES INDÍGENAS NA CIDADE (13/04, às 19h). Os filmes Índios no Poder (2015) Índio Cidadão? (2014) terão sessões duplas no dia 06/04, às 15h – mesma data da mesa DEMARCAÇÃO: UMA QUESTÃO DE PRIMEIRA ORDEM (às 19h) – e 14/04, às 17h30. A abertura ocorrerá hoje, às 19h, com sessão gratuita de Taego Ãwa (2016). A programação completa está disponível em https://www.corposdaterra.com/programacao.

Texto de Rodrigo Arajeju, com vinheta e informações da divulgação oficial.

Serviço:

Corpos da terra – imagens dos povos indígenas no cinema brasileiro

04 a 16 de abril | 2017

Caixa Cultural Rio de Janeiro – Cinemas 1 e 2

Av Almirante Barroso, 25 – Centro | Metrô: Estação Carioca

Contato: (21) 3980-3815

Ingressos: R$4 (inteira) e R$2 (meia entrada)

Além dos casos previstos em lei, clientes Caixa pagam meia entrada

Acesso para pessoas com deficiência

Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal

Facebook: facebook.com/corposdaterra

Site: http://www.corposdaterra.com

Lideranças Guarani Kaiowa da Terra Indígena Taquara comparecerão em reunião de mediação na Polícia Federal de Naviraí

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O Povo da Terra Indígena Taquara iniciou o ano de 2016 sob forte tensão em seu território tradicional (Tekoha). Foram dias marcados por repetidas investidas de unidades do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), seguranças particulares da empresa SEPRIVA e também de grupos paramilitares – os quais se concentravam na Fazenda Brasília do Sul. Lideranças indígenas e o Comitê Permanente de Apoio ao Povo Guarani Kaiowa na Universidade de Brasília denunciaram essas coações ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal de Naviraí, à Equipe Federal do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, à Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados e à Relatoria Especial da ONU sobre Direitos dos Povos Indígenas.

No dia 18/01, representantes da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e da Operação Guarani reuniram-se no Tekoha com lideranças do Povo Guarani Kaiowa e membros do Conselho Aty Guasu. O presidente da CDHM, deputado federal Paulo Pimenta, retornou ao Mato Grosso Sul, em 20/01, para apurar as novas denúncias de violações de direitos humanos das populações do Tekoha Taquara (município de Juti) e do Tekoha Teiy Jusu (município de Caarapó). O presidente ouviu testemunhos e assistiu um vídeo gravado nos dias de conflito (veja aqui https://www.facebook.com/radioyande/videos/830898550353121), concluíndo que o “DOF atua como segurança privada de maneira ostensiva, pra intimidar lideranças com fazendeiros”*.

Nessa semana, por intermédio de servidores da FUNAI, o Povo do Tekoha Taquara soube do ingresso de ação de reintegração de posse na Justiça Federal protocolada pelo advogado da Fazenda Brasília do Sul. O juiz indeferiu o pedido liminar, garantindo a permanência da comunidade no território que já foi reconhecido como Terra Indígena e delimitado pela Portaria Declaratória nº 954, de 07/06/2010, do Ministério da Justiça (MJ). Representantes da comunidade receberam convite para participar de reunião de mediação no auditório da Polícia Federal de Naviraí, a ser realizada na manhã de hoje (28/01).

Segundo informação da FUNAI, a proposta é estabelecer acordo sobre a reivindicação do latifundiário e de arrendatários para assegurar a colheita dos extensos monocultivos de soja, dentro da retomada do território tradicional. A ñandesy (rezadora tradicional) matriarca da comunidade e o cacique atenderão ao convite, de boa-fé. Declaram a intenção de permitir essa última colheita, pois não possuem interesse na lavoura. Após, cumprirão a auto-determinação do Povo de reocupar definitivamente o território da Terra Indígena Taquara, delimitado pelo MJ, para garantir sua sobrevivência física e cultural, a proteção do Tekoha e a preservação das nascentes.

Também participarão da referida reunião de mediação autoridades do Ministério Público Federal e da Polícia Federal de Naviraí, os coordenadores da Coordenação Regional de Dourados e da Coordenação Técnica Local de Caarapó da FUNAI e o advogado da Fazenda Brasília do Sul. O Povo Kaiowa e Guarani do Tekoha Taquara declara que aguardará o resultado com mobilização, praticando os rituais que são a essência de sua resistência pacífica no território tradicional. Reafirmam sua luta histórica de retomada e o clamor por Terra, Vida, Justiça e Demarcação (assista ao Clamor Kaiowa do Tekoha Taquara https://youtu.be/fMYW4KEHNtQ).

Brasília, 28 de janeiro de 2016.

Texto de Rodrigo Arajeju, com informações de lideranças da Terra Indígena Taquara.

Foto: acervo 7G Documenta.

 

*Declaração do presidente da CDHM reproduzida do veículo Top Mídia News, acessado em 27/01, disponível em http://www.topmidianews.com.br/politica/noticia/dof-atua-como-seguranca-privada-em-terra-indigena-diz-deputado.

PEDIDO DE SOCORRO DO POVO GUARANI KAIOWA DIANTE DE IMINENTE DESPEJO POLICIAL NO TEKOHA ITAGUÁ

Escolta GETAM 15

Lideranças do Conselho Aty Guasu informaram que 500 policiais da Tropa de Choque chegaram hoje ao município de Caarapó, às 11h, para cumprir mandado de reintegração de posse da Fazenda Novilho contra a comunidade do Tekoha Itaguá. O Povo Guarani Kaiowa emite pedido de socorro emergencial às autoridades federais e aos órgãos internacionais de direitos humanos, reafirmando a decisão definitiva de resistir pacificamente a qualquer ordem judicial de despejo forçado. Segundo relato comunicado via telefonema nessa manhã, a comunidade manifesta preferir que sejam todos mortos no local do que a expulsão de sua terra ancestral pelas forças policiais.

O Aty Guasu já informou ao Ministério Público Federal em Dourados que 6 mil indígenas estão concentrados na Resistência Guarani Kaiowa no Tekoha Itaguá, contando com o apoio de guerreiros e guerreiras dos Tekohas Te’yjusu e Pindo Roky/ Tey’iKue – também ameaçadas por decisões de reintegração de posse. Na Terra Indígena Itaguá os indígenas tem sua casa grande de reza, escola, casas e roçados. É grande o desespero do Povo pela chegada da Tropa de Choque e da Polícia Civil, agrupadas nesse momento na Fazenda Novilho.

A Resistência Guarani Kaiowa apresenta a decisão definitiva de permanecer nessa terra tradicional e em todos os Tekohas das retomadas, diante da omissão de 21 anos do Governo Federal em concluir os processos de demarcação – conforme determinou o artigo 67 das ADCT da Constituição Federal de 1988. Como motivo central da desobediência às reintegrações de posse se alega a inviolabilidade dos restos mortais de indígenas assassinados e sepultados nas retomadas, como o caso da execução do adolescente Denilson Barbosa no Tekoha Tey’iKue (saiba mais em http://www.progresso.com.br/opiniao/wilson-matos/execucao-por-intolerancia-e-genocidio), em 2013.

Atualmente, comunidades de oito terras indígenas podem ser despejadas com uso de forças policiais segundo determinação de decisões de varas da Justiça Federal em Dourados e Ponta Porã. A ordem de despejo judicial do Tekoha Itaguá foi emitida pela 1ª Vara Federal de Dourados nos autos do processo nº 0000654-76.2015.4.03.6002. Ataques de milícias armadas e tentativas de despejos extrajudiciais já foram iniciadas por latifundiários nos Tekohas Potrero Guasu e Kurusu Amba, no cone sul do estado. É grande a mobilização do Povo Guarani Kaiowa em defesa das retomadas em Mato Grosso do Sul e seu clamor por justiça começa a ecoar em instâncias internacionais. Serão fornecidas informações atualizadas pelos membros do Conselho Aty Guasu, que solicitam a ampla divulgação dessa nota.

Texto de Rodrigo Arajeju, com relatos de lideranças da Resistência Guarani Kaiowa no dia 08/08/2015. Foto ilustrativa do acervo da 7G Documenta, de ação extrajudicial da Polícia Militar de Caarapó no Tekoha Takwara (junho/2015).

LIDERANÇAS GUARANI KAIOWA SE REÚNEM COM CHEFES DE ESTADO PARA APRESENTAR DENÚNCIA INTERNACIONAL SOBRE VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS

Nhupotu na ONU

Membros do Conselho Aty Guasu atenderam ao convite da Cúpula da Consciência sobre o Clima, realizada em Paris no último dia 21, e fizeram ecoar o grito de socorro do Povo Guarani Kaiowa durante viagem à Europa. Participaram de encontros oficiais com chefes de Estado e audiências com autoridades na França e em Genebra, no escritório das Nações Unidas. Foram protocolados documentos contendo graves denúncias sobre a crise humanitária enfrentada pelos Guarani Kaiowa no estado Mato Grosso do Sul.

Líderes políticos, religiosos e influentes formadores de opinião de diferentes continentes, além de figuras importantes que atuam na proteção do planeta Terra como a ativista Vandana Shiva, se mostraram extremamente preocupados com essa situação. Os discursos de Valdelice Veron e Natanael Caceres estão disponíveis na íntegra em vídeo (https://youtu.be/DbFoSdRAyBo) postado pelo Conselho Econômico, Social e Ambiental da República Francesa, instituição que sediou o encontro. Confira também a lista completa das personalidades participantes da Cúpula (http://www.la-croix.com/content/download/1359628/43287851/version/1/file/Appel+du+sommet+des+consciences+pour+le+climat.pdf).

As lideranças manifestaram esperança de que algo de concreto aconteça em favor das demarcações e homologações das terras indígenas no Mato Grosso do Sul. Acreditam que a repercussão do clamor Guarani Kaiowa ecoará em todos os países representados no encontro, a partir do indicativo de difusão dessa denúncia internacional pelos participantes reunidos na França. Durante a Cúpula, também tiveram audiência com o príncipe de Mônaco, Alberto II (entre as lideranças na foto abaixo), no intuito de divulgar a grave situação do Povo Indígena que mais sofre com a violação de direitos humanos no Brasil.

Nhupoty, Toni e Príncipe de Mônaco

Os membros do Aty Guasu receberam convite para jantar oficial com François Hollande, realizado no Palácio do Eliseu. Em entrevista concedida após o encontro na sede da presidência, Valdelice Veron demonstrou sua indignação com o descaso das autoridades brasileiras: “Só o fato de ele [Hollande] nos receber, já foi muito importante. Nós fomos recebidos pelo presidente francês, jantamos na mesa dele, algo que presidência nenhuma fez com nenhum indígena, nem do Mato Grosso do Sul, nem do Brasil. Nunca somos recebidos pela presidente Dilma ou outras pessoas que esperávamos que nos acolhessem”.*

Autoridades políticas da França, principalmente alguns senadores e deputados, acompanharam as lideranças indígenas a todo o momento e disseram estar indignados com a situação de seu Povo. Ainda se comprometeram a intervir junto ao Governo brasileiro para solicitar a adoção de diligências urgentes capazes de resolver a crítica situação de conflitos no Mato Grosso do Sul, que se agrava nos últimos anos. Os representantes do Aty Guasu indicaram que o único meio será a demarcação de todas as terras tradicionais dos Povos Originários nesse estado.

Durante o depoimento no Parlamento francês, Valdelice afirmou que enfrentará grande risco ao regressar ao Brasil por ser porta-voz dessas denúncias no exterior. Se reuniram com Michel Forst (foto abaixo), secretário geral da Comissão Nacional de Direitos Humanos da França e relator especial da ONU sobre defensores de direitos humanos. Ele se prontificou a comunicar o Governo Federal que deverá se responsabilizar diretamente por qualquer atentado cometido contra os mesmos, assim como qualquer liderança Guarani Kaiowa cadastrada no programa de proteção da Secretaria de Direitos Humanos. Valdelice Veron integra a lista de proteção à vítimas e testemunhas ameaçadas desse programa da Presidência da República, contudo, segue sem proteção efetiva do Estado.

Nhupoty, Toni e Michel Forst

Em Genebra, participaram de audiência com a relatora especialda ONU sobre os direitos dos Povos Indígenas  no escritório europeu das Nações Unidas. Realizaram convite formal para que realize missão de campo nas retomadas do Povo Guarani Kaiowa. Ela prontamente se comprometeu em empreender esforços para viajar ao Mato Grosso do Sul, o mais rápido possível. Também se reuniram com a representante do Brasil junto à ONU em Genebra, a embaixadora Regina Dunlop. Por último, travaram encontro com o Rei da Noruega, Haroldo V.

Os indígenas afirmam que será impossível o Governo Federal continuar insensível a situação do seu Povo após toda essa repercussão. Ao finalizar, relataram grande cansaço devido ao esforço para alcançar as mais diversas instâncias políticas nacionais da França e internacionais da ONU, assim como comparecer em entrevistas para importantes emissoras de rádio e televisão de diferentes países, no período disponível para a viagem de incidência na Europa.

A data de regresso ao Brasil será mantida em sigilo, por questões de segurança. Quando se deslocavam para o embarque da viagem internacional, foram perseguidos por homens armados em uma caminhonete na saída do Tekoha Takuara. Valdelice Veron recebe ameaças de morte constantemente. Em março de 2015, sofreu agressão de um pistoleiro quando apoiava lideranças do Aty Guasu no território da retomada do Tekoha Kurusu Amba. A liderança teme por sua vida quando voltar ao Mato Grosso do Sul, indicando que será renovado o pedido de medidas eficazes de proteção de sua integridade física junto à Secretaria de Direitos Humanos.

Texto de Rodrigo Arajeju, com relatos e fotos enviados por Valdelice Veron e Natanael Caceres.

*Fonte da entrevista de Valdelice: http://www.brasil.rfi.fr/geral/20150723-lideres-guarani-kaiowa-jantam-com-hollande-e-pedem-socorro.

EXPEDIÇÃO DA UNB À ALDEIA TAKUARA – BALANÇO PARCIAL DA CAMPANHA DE COBERTORES

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Estimadas e estimadores apoiadores, boa tarde.

Agradecemos o apoio de cada um que contribuiu com doações financeiras para a compra emergencial de cobertores, tod@s dessa rede de solidariedade em Brasília que doaram roupas, alimentos, entre outros. Aos que divulgaram nossa campanha, igualmente gratos. Abaixo segue o balanço parcial, com dados dos doadores (alguns não identificados, ainda) e total arrecadado (R$ 3.250,00), montante que garantiu a compra de 257 cobertores.

Embarcaremos para o Mato Grosso do Sul hoje, em um clima de tensão pelo ataque de latifundiários e pistoleiro no Tekoha Kurusu Amba, retomada Kaiowa e Guarani no município de Coronel Sapucaia. Há concentração de guerreiros Kaiowa de várias retomadas no local para defender a comunidade, sendo confirmado pelas lideranças locais o assassinato de uma criança indígena e apresentado o relato de três desaparecidos após a tentativa de massacre.

A Resitência Kaiowa e Guarani segue, com seu clamor por Terra, Vida, Justiça e Demarcação.

Brasília, 25 de junho de 2015.

Cordialmente, Equipe da Expedição – UnB.

4 últimos dígitos CPF Valor Depositado
2191 5 cobertores
8700 20 cobertores
Total 25
3153 30,00
115 45,00
1172 15,00
José 45,00
João Expedição 20,00
Expedição 15,00
Marcos Alves 90,00
4866 15,00
9720 15,00
5153 45,00
2474 20,00
x187 30,00
x805 15,00
9168 * 15,00
2168 30,00
6100 80,00
9187 150,00
Julia 15,00
Daniel 15,00
2168* 45,00
Ana Rita 45,00
0197 * 15,00
Adelia 30,00
6100 * 15,00
5604 * 75,00
4749 200,00
Marli * 585,00
M. Lima 90,00
Vanessa 100,00
Silvia 70,00
Mônica 50,00
Ana Tereza * 60,00
8153 25,00
Erica 30,00
João 6150 310,00
 OSCIP Ponte para a Saúde – R$ 300,00

0153 – R$ 50,00

0603 – R$ 30,00

4704 – R$ 45,00

9836 – R$ 90,00

4191 – R$ 30,00

4115 – R$ 100,00

3186 – R$ 100,00

1134 – R$ 30,00

Não identificado – R$ 45,00

Total em espécie 3250,00
Quantidade em espécie 232
Total cobertores = 257

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Expedição da UnB à Aldeia Takuara arrecada recursos em campanha emergencial para compra de cobertores solicitados por comunidades Guarani-Kaiowá

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Professoras dos cursos de Pedagogia, Biologia e Geografia da Universidade de Brasília coordenam a “Expedição à Aldeia Takuara – Tekoha Guarani-Kaiowá”, a ser realizada no período de 25 a 29/06/2015, com destino ao território de retomada indígena no município de Juti, estado do Mato Grosso do Sul. A atividade acadêmica de extensão se propõe a conhecer e oferecer respostas efetivas ao problemas enfrentados por essa população originária para garantir sua sobrevivência física e cultural diante da negativa do exercício de direitos territoriais (assista registro documental aqui: https://youtu.be/fMYW4KEHNtQ).

O grupo da Expedição será composto por professoras e alunas(os) de diferentes cursos de graduação, mestrandas(os), colaboradores, representantes do Educação Gaia Brasília e servidores da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. A população da Aldeia Takuara é uma das dezenas de comunidades da Nação Guarani-Kaiowá, maior Povo Indígena no Mato Grosso do Sul e segundo do país, que é vitimada por grave crise humanitária enquanto aguarda a conclusão do processo de demarcação de seus territórios tradicionais.

Os participantes da Expedição da UnB organizam campanha de arrecadações de doações para a população da Aldeia Takuara e outras comunidades desse Povo, com intuito de atender demandas básicas como o acesso à alimentação (assista matéria da UnB TV: https://youtu.be/2MOsaIDfig0). A pedido das lideranças indígenas, lançamos ação emergencial para a compra de cobertores. Declararam que o inverno já se iniciou no Mato Grosso do Sul e temem que o frio rigoroso da estação cobre vidas de recém-nascidos e bebês, como no ano passado, nos acampamentos precários das retomadas.

Dada a solidariedade manifestada por pessoas e organizações interessadas em realizar doações financeiras, e considerando o curto prazo restante da campanha, as professoras da UnB e colaboradores abrem exceção para arrecadar dinheiro e viabilizar a compra dos cobertores antes do embarque da Expedição, no próximo dia 25/06. O teto mínimo de cada doação é de R$ 15,00 (quinze reais), custo da unidade do cobertor em Brasília; valores maiores devem ser múltiplos de 15. Serão aceitas doações até às 22h da quarta-feira, 24/06/2015.

TRANSFERÊNCIAS E PRESTAÇÃO DE CONTAS

Os interessados devem realizar transferência para a conta do aluno Rodrigo Siqueira, mestrando do MESPT/CDS/UnB vinculado a projeto junto à comunidade da Aldeia Takuara; depois, deverá enviar o comprovante da transação bancária e os 4 últimos números do CPF para o email campanhaunbguaranikaiowa@gmail.com.

Banco do Brasil
Agência 8608-8
Conta Corrente 5649-9
Rodrigo Siqueira Ferreira
CPF: 724.444.281-53

No dia 25/06, será publicada prestação de contas parcial nesse blog contendo: nota fiscal com valor total da compra; relação dos doadores (apenas final do CPF) associados ao valor transferido; registro fotográfico dos cobertores. Após o retorno da Expedição, a prestação parcial será analisada pelas professoras responsáveis e será publicada carta declarando o balanço consolidado dessa ação emergencial.

Agradecemos o apoio e solidariedade de todas(os) e estamos à disposição para esclarecimentos.

Profa. Dra. Ana Tereza Reis (Pedagogia/UnB)
tapajuara@gmail.com
61 8161-2557

Maria Rita Avanzi (Biologia/UnB)
mariarita@unb.br

Zara Guimarães (Biologia/UnB)
zaraguimaraes07@gmail.com

Marli Sales (Geografia/UnB)
marlisales@unb.br

Rodrigo Siqueira (mestrando CDS/UnB)
campanhaunbguaranikaiowa@gmail.com
61 8141-3569

Texto de Rodrigo Arajeju, com foto da família do nhanderu Adelino Paulo (em memória) do acervo da 7G Documenta (www.7gdocumenta.com.br) – outubro de 2014.